Natal 2008

A importância de se compartilhar

Nas relações entre as pessoas, há, muitas vezes, a tendência e o hábito de falar-se do externo. Gasta-se a maior parte do tempo e conversas entre amigos, familiares e colegas de trabalho, falando-se do tempo, da política, do futebol, da fórmula 1, em detrimento de falar-se de si.

É uma pena. É lastimável que percamos tanto tempo de nossas vidas falando superficialidades. Deixamos de abrir nossos corações. Perdemos a oportunidade preciosa de expressar nossos sentimentos falando de nós, que é o essencial em comunicação humana. Então, conversas que poderiam ser riquíssimas ficam vazias. Sem conteúdo. Isto é ainda mais lamentável quando se trata de relações afetivo-sexuais. Em momentos que o afeto pode ser o ingrediente maior, pela nossa falta de costume gastamos tempo e conversa sem aprofundar.

É como se tivéssemos medo de falar do interior. Há um receio, até por falta de oportunidade e experiência. Falar de si é uma arte que precisamos elaborar e construir em nossas vidas até para podermos legar às futuras gerações.

Timidez, repressão dos pais, falta de hábito, machismo são algumas das causas deste bloqueio que impede que falemos genuinamente de nossas mais verdadeiras e profundas emoções, medos, receios, inseguranças e desejos. Então trancamos a porta do coração com a chave da superficialidade.

Precisamos romper estes padrões sob pena e risco de atravessarmos esta vida sabendo tudo de nosso time, do nosso partido, de carros e pouco ou quase nada de cada um de nós. O caminho do amor passa pela conexão de nossos corações até a língua, como veículo de expressão.

Dizer que se ama, que se quer bem, pedir desculpas, reconhecer erros, estar abertos a escutar é saudável para nossos relacionamentos conosco e com os outros.

* jayme@libertas.com.br

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