A um poeta

***
Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afungentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões,
São teus irmãos, que se erguem! são
                                      [canções...
Mas de guerra...e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

                                             cedros: árvores de grande porte.
                                             levita: sacerdote da antiga Jerusalém.
                       

Antero de Quental: a eterna procura


Antero de Quental (1843-1891) foi o líder intelectual da geração que deu ínicio ao Realismo em portugal. Seus primeiros poemas, publicados em 1861, revelam tendências místicas.Os poemas publicados logo  depois já mostram uma evolução para os racionalistas e radicalismo político.

2 comentários

Anônimo disse...

Gosto das obras de Antero de Quental... muito bom vc ter publicado tal obra!!!! Bjus... <3... Bastante nítido seu texto tornando-a muito interessante tbm!!! :)

Simone Ramos disse...

Obrigada!!!

Abraço.

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