Avatar Brasileiro


Avatar brasileiro
Por Daniel Santini
daniel.santini@folhauniversal.com.br


Diretor James Cameron compara drama de índios ameaçados por hidrelétricacom Avatar, filme de maior bilheteria da história do cinema





O diretor canadense James Cameron, diretor de Avatar, filme de maior bilheteria da história do cinema, visitou no final de março as áreas que devem ser alagadas para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.


Ele viajou para o Brasil para participar do Fórum Internacional de Sustentabilidade, em Manaus (AM), e aproveitou para conhecer a região vizinha.


Mesmo criticado, o projeto bilionário, que é o maior do setor desde a construção de Itaipu, usina erguida na fronteira do Brasil e Paraguai durante a ditadura militar, será executado de qualquer maneira, segundo o Ministério de Minas e Energia.


O leilão para construção está marcado para o dia 20. A obra é tão colossal que tem sido comparada à abertura do Canal do Panamá, nada menos do que a ligação do Oceano Pacífico com o Oceano Atlântico no começo do século passado.


Cameron diz que decidiu ir até as terras que devem ser alagadas pela represa gigante em função da insistência dos que são contrários ao projeto.


Conforme a Folha Universal vem noticiando desde outubro de 2009, a maneira como o projeto foi aprovado é contestada por movimentos sociais, moradores locais, acadêmicos e procuradores do Ministério Público Federal.


O cineasta ficou sensibilizado com as críticas e aderiu aos protestos contra a barragem.


Por telefone, direto de Altamira, no Pará, ele comparou a situação dos indígenas e ribeirinhos que serão expulsos das terras em que vivem à dos Na´vis, os personagens azuis que fizeram sucesso em cinemas de todo o mundo.


“É praticamente a mesma história. No Avatar, temos uma corporação formada por um consórcio entre o governo e uma empresa de energia tentando extrair um mineral para garantir o fornecimento de energia no futuro.


Para isso, precisa retirar a população local, que vive na região há milhares de anos.


E eles se recusam a sair”, afirma o diretor. “As pessoas que conheci também não querem sair e entendem que, se deixarem suas terras, serão destruídas.


É igual”, destaca Cameron.Reunião com índios O cineasta teve a oportunidade de conhecer e conversar com índios caiapós que haviam se reunido para debater como resistir à obra.


Do inglês, o que dizia era traduzido para o português e só então para a língua falada pelos índios. “Foi uma oportunidade fantástica. Em alguns momentos, demorou um pouco para que nos entendêssemos, mas quando as pessoas querem se comunicar, elas são pacientes.


Eles foram muito receptivos e ficaram felizes com o interesse”, explicou.


“A principal reclamação deles é que, mesmo com a perspectiva de terem a vida destruída, não têm sido ouvidos”, disse.


Para Cameron, os brasileiros não devem se ressentir quando estrangeiros fazem críticas a projetos como o de Belo Monte.


“Sei que muitos ficam incomodados em ver ‘gringos’ julgando, mas é preciso que entendam que a Amazônia é vista como uma das grandes maravilhas do mundo e que existe uma enorme preocupação em proteger as últimas culturas indígenas que restaram no planeta”, afirma.


“O Brasil é um país maravilhoso com uma riqueza fantástica e é preciso ter em mente como seria grave se isso tudo fosse destruído”, completa.


Ele se diz tão encantado com a região que fala em utilizar fotografias da paisagem para fazer uma continuação de Avatar.


“Vejo a possibilidade de realizarmos outro Avatar aqui, ou basear um novo trabalho em um tour fotográfico da região. No primeiro filme tudo foi feito em computação gráfica.
Mas a riqueza da paisagem, da floresta, a inventividade da natureza é maravilhosa e tenho certeza que podemos integrar fotografias reais da floresta em outro Avatar.


Pode ser um relacionamento de longa duração”, empolga-se.


Ao mesmo tempo em que defende que os principais conflitos militares hoje são baseados em disputas por energia, citando que os Estados Unidos só invadiram o Iraque devido ao interesse por petróleo, o diretor credita o sucesso de Avatar à mensagem que o filme passa de preservação da natureza e de resistência dos povos locais.


“Todos se sentiram conectados de maneira muito emocional. Isso é bom.


As pessoas sentem que podemos fazer mudanças, podemos fazer as coisas de maneira diferente”, afirma, dizendo-se otimista com “o potencial humano e a capacidade de compaixão das pessoas”.

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