Marama e o rio dos Crocodilos

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Marama e o rio dos Crocodilos
(Conto Africano)





Marama e o rio dos crocodilos é outro exemplo do que pode acontecer quando o pai e a mãe desaparecem da vida de sua filha, e a menina órfã aprende a se fazer respeitar pelas pessoas com quem convive. É típico de quem perde todo sistema referencial porque não pode mais viver o mesmo valor que os pais. Tem-se a sensação de ficar órfão realmente. Isto é válido tanto para uma jovem como para um jovem, seja ele asiático, europeu, americano, ou africano como Marama. Branca de Neve e Marama são, em certo ponto, irmães que conheceram a mesma estória. Porém, Marama se confronta de certa maneira com realidades muito primitivas, com o lado violento e feroz, que exige dela muito cedo saber se colocar. Por tocar nesse lado mais primitivo, a leitura deste conto nos fala de outro modo. Mas deixemos o conto falar primeiro.






Marama e o rio dos Crocodilos




Marama era uma menininha e, quando seus pais morreram, o chefe da tribo a entregou aos cuidados de uma das mulheres de aldeia.

Mas era uma mulher má que batia na menina, não lhe dava nada para comer e só pensava em como se livrar dela. Um dia, ela deu a Marama um pilão pesado, que se us para descascar arroz, e lhe disse:

-Vá ao rio dos Crocodilos Bama-Bá e lave este pilão para eu poder usá-lo para descascar arroz.

Marama se pôs a chorar, porque o rio era muito afastado, era muito profundo e caudaloso, cheio de cobras e crocodilos. As pessoas tinham medo de ir até lá e só ás gazelas e os leões iam lá beber.

Porém, Marama tinha tal medo de sua madrasta ruim, que pegou o pilão e foi-se embora.

No caminho para a floresta ela encontrou um leão. Ele sacudiu sua juba e rosnou com uma voz terrível:

- Como você se chama e para onde você vai?

Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:

-Marama é meu nome

E não tenho mãe...

Vou ao rio

Para lavar este pilão.

Ao rio dos Crocodilos

Minha madrasta me mandou.

Lá só vão gazelas

E leões para beber.

Lá dormem cobras

e crocodilos.

-Então vá, Marama, menina sem mãe! _ disse o leão. Vá e não tenha medo. Vou cuidar para que as gazelas e os leões não incomodem você quando forem beber.

Marama continuou seu caminho e, quando chegou ao rio, um crocodilo horrendo e velho surgiu na sua frente, abrindo sua enorme boca, seus grandes olhos vermelhos lhe saindo da cabeça.

- Qual é seu nome e para onde você vai? – perguntou.

Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:

-Marama é meu nome

E não tenho mãe...

Vou ao rio

Para lavar este pilão.

Ao rio dos Crocodilos

Minha madrasta me mandou.

Lá só vão gazelas

E leões para beber.

Lá dormem cobras

e crocodilos.

-Então vá, Marama, menina sem mãe! – disse o crocodilo. Lave seu pilão e não fique espantada. Vou cuidar para que as cobras e os corcodilos que vivem no rio não incomodem você.

Marama ajoelhou-se na beira do rio e começou a lavar o pilão. Mas estava tão pesado, que lhes escapou das mãos, desaparecendo na água. Marama começou a chorar, porque não podia voltar para casa sem o pilão. De repente, surgiu na água um crocodilo que lhe estendeu um novo pilão, limpinho e branquinho, incrustado de ouro e prata.

-Leve este pilão para casa, Marama, menina sem mãe, e mostre-o a toda aldeia, a fim de que todo mundo saiba que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos, é seu amigo.

Marama lhe agradeceu e voltou para casa. No caminho, encontrou de novo o leão.

- Deixe-me pegar o pilão, Marama, menina sem mãe – disse ele. È pesado demais para você. Vou levá-lo até sua casa, assim todo mundo vai saber que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos é seu amigo.

Quando Marama chegou em casa, a madrasta admirou muito o pilão e lhe perguntou onde o havia encontrado. Marama apenas lhe contou que o tinha encontrado no rio dos crocodilos. Então a madrasta pegou outro velho pilão de arroz, afim de também encontrar um novo, branquinho e incrustado de ouro e prata.



No caminho para a floresta, encontrou-se com o leão. Meneando a juba, ele rugia com voz terrível:

-Quem é você e para onde vai?

A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra, pôs se a correr a não mais poder. O leão a seguiu com seus olhos até ela desaparecer entre as árvores, e depois simplesmente levantou os ombros.

Quando chegou ao rio, um velho, horroroso crocodilo lhe atravessou o caminho, abrindo uma enorme boca, seus olhos vermelhos e grandes lhe saindo da cabeça.

-Como você se chama e para onde vai? – perguntou.

A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra e foi pela beira do rio. Não foi muito longe. De todos os lados, os leões e as gazelas que vinham beber no rio a cercaram, assim como as cobras e os crocodilos que viviam no rio, e todos cantavam em coro:

-Marama, a menina sem mãe,

pode vim lavar
seu pilão no rio,
pois o poderoso Subara,
rei do rio,
é seu amigo.

Mas para você, mulher má,
o rio dos crocodilos
significa a morte!
E assim foi.



Maiores informações e interpretações a respeito deste conto leiam: O QUE CONTA O CONTO? Jente Bonaventura
















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