A pedido do público

24/07/2011 - 10h40

Globo e SBT afirmam ter cortado cenas de beijo entre homossexuais a pedido do público, destaca Folha de S.Paulo



Depois de ter tramas elogiadas por criticar a homofobia e tratar os relacionamentos homossexuais com naturalidade, as novelas da TV aberta recuaram na abordagem de personagens gays, segundo a reportagem "Emissoras no armário", publicada neste domingo pelo jornal Folha de S.Paulo.



"Amor e Revolução" (SBT) mostrou um beijo lésbico entre Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre). Mas a mesma cena entre Jeová (Lui Mendes) e Chico (Carlos Artur Thiré) foi vetada.



Em nota, a emissora explicou ao jornal ter tomado a decisão após uma pesquisa mostrar insatisfação "em relação às cenas de violência demasiada e beijo gay explícito, que incomodaram a maioria das famílias brasileiras". A Globo não citou pesquisas para esfriar a história de "Insensato Coração", cortando cenas gravadas. "Nossa tramas registram a afetividade e o preconceito, mas não cabe exaltação", informou em nota.



As decisões das emissoras causaram surpresa e decepção entre defensores dos direitos dos homossexuais, especialmente no caso de "Insensato Coração", que foi considerada um marco pela denúncia da homofobia. O próprio Ministério da Justiça, órgão responsável pela classificação indicativa, decidiu mantê-la como "não recomendada para menores de 12 anos" (ao invés de 14 anos).



A decisão, publicada no "Diário Oficial" nesta semana, cita que a novela tem "conteúdos de natureza educativa e relevância social, com reflexos positivos e respeito à diversidade".



BEIJO PROIBIDO



A cautela na exibição de afeto entre homossexuais é antiga na Globo. Em 20 de dezembro de 1998, o cinegrafista Hugo Sá Peixoto e seu chefe, Amaury Trolize, foram demitidos após a exibição de um beijo entre homens em imagens que entraram ao vivo no "Fantástico".



A emissora explicou, em nota, que as demissões ocorreram na época porque eles desrespeitaram "uma recomendação". Ambos, porém, dizem que "foi um acidente".



" O proibido de ontem não é mais o de hoje", ressente-se Peixoto, que trabalhou por 26 anos na Globo. Quase 13 anos após sua saída, a mesma emissora exibiu, no "Jornal Nacional", em horário nobre, um selinho entre dois homens em reportagem sobre a última Parada Gay de São Paulo.



Especialistas ouvidos pela Folha destacaram a importância de dar visibilidade a cenas de afeto entre gays.



Deixando o politicamente correto de lado, no entanto, o que parece consensual adquire contornos controversos quando o assunto é a veiculação de imagens de beijos e carinhos entre dois homens ou duas mulheres.



Para o ator Daniel Barcelos, que beijou Raí Alves na minissérie "Mãe de Santo" (1990) da extinta TV Manchete, a polêmica é um retrocesso. "Não entendo por que dar esse passo atrás."



Questão gay evoluiu na TV, dizem estudiosos



"Será que eles vão explodir os dois, como já aconteceu com outros casais?"



A questão do antropólogo Sérgio Carrara, coordenador do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), é retórica. Ele mesmo diz que dificilmente a Globo usará em "Insensato Coração" uma solução extravagante para eliminar o par Eduardo e Hugo, como aconteceu com o casal lésbico de "Torre de Babel", de 1998. "Acho que é impossível, não é mais o momento. É quase inacreditável."



A Folha ouviu estudiosos -da sexualidade, da televisão, das telenovelas- sobre a representação dos homossexuais nos folhetins da TV. Eles foram unânimes em apontar uma evolução, que acompanha e estimula mudanças na própria audiência.



"A telenovela é um espaço de debate. De um modo geral, ela puxa a sociedade", diz a professora Maria Immacolata, coordenadora do Centro de Estudos de Telenovela da Universidade de São Paulo.



Para o psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Transtorno de Gênero e Orientação Sexual do Hospital das Clínicas de São Paulo, Alexandre Saadeh, a censura às cenas de afeto gay nas novelas é um desserviço. "Mostrar um beijo não é valorizar simplesmente os homossexuais mas promover a aceitação de uma diferença que é normal", diz. "Ver um casal de homens ou mulheres vivendo juntos e expressando afeto não transforma ninguém em homossexual", explica Saadeh.



Por outro lado, ainda há claros sinais de conservadorismo do grande público, sinais a que as emissoras aludem -indiretamente e de forma velada- na hora de justificar as mudanças recentes nas tramas gays. "Ao mesmo tempo em que há o reconhecimento de direitos, é uma sociedade ainda muito conservadora e que tem forças que usam a questão da homossexualidade como marco de diferença no campo político", diz Carrara.



GAYS AFETADOS E LÉSBICAS



Dois tipos de personagem passam imunes aos vetos das TVs: gays afetados, do humor, e lésbicas.



"A relação sexual entre mulheres faz parte do repertório erótico heterossexual", diz Carrara; isso explicaria o fato de o SBT ter mostrado um beijo lésbico em "Amor e Revolução", mas censurado cena idêntica com homens.



Quanto aos gays afetados, típicos do núcleo humorístico, os especialistas afirmam que fazem parte da diversidade homoessexual , mas que frequentemente são apenas veículos para a expressão de preconceitos.



"É mais fácil debochar desse tipo de personagem porque ele tem a marca da diferença", explica Saadeh. "Incomoda mais um homossexua que não é afetado, ou tem trejeitos, porque fica mais difícil excluí-lo."



Doutor em comunicação pela Universidade do Texas e autor de livros como "A Televisão no Brasil - 50 Anos de História", Sergio Mattos diz que a sociedade está "deixando a hipocrisia de lado" e que a aceitação "é questão de tempo".



OPINIÃO 1 - Novelistas exageram na temática e perdem a mão



Até o final da década de 90, os gays quase sempre eram retratados de forma jocosa em novelas, seriados e minisséries. São lendários personagens em tramas de todos os horários na Globo. No SBT, a descoberta é mais recente.



Parece que foi só neste novo século que as TVs descobriram o politicamente correto e passaram a retratar minorias com mais fidelidade.



A despeito dos vários beijos gays prometidos por autores da Globo e do SBT, e que não foram exibidos por ingerência das direções das TVs, não há dúvida de que os novelistas escrevem hoje um texto mais honesto, sério e justo para personagens gays, negros e também deficientes físicos, doentes terminais etc.



O problema é que, assim como todo ano as organizações LGBT "inflam" e chutam para cima o número de pessoas presentes à passeata na Paulista, talvez os autores agora estejam "inflando" o espaço à temática e a seus personagens. O mundo real parece bem menos gay do que o que os novelistas querem.



OPINIÃO 2



Falar num crescimento exagerado de personagens gays nas novelas merece cautela. Na recente reprise de "Vale Tudo", dos anos 80, havia o mordomo culto e afetado, o filho que o pai desconfiava ser HOMOSSEXUAL e o michê que virou amante de um príncipe. Tudo muito enrustido, mas já presente.



Nos humorísticos, a chamada "bicha caricata" existe há décadas -um elemento importante para a chamada visibilidade gay.



Está desfocada a ideia de que os vetos das emissoras para baixar a bola da bandeira colorida foram provocados por uma overdose gay na TV. Eles não são nem maioria nem protagonistas das novelas. O que está em "close" não é supremacia, mas igualdade.



Diminuir a presença gay na TV torna o debate da homofobia desigual se comparado ao de questões como o racismo ou a opressão à mulher, amplamente discutidas nas tramas de novelas. A conclusão é uma só: os gays ainda não conquistaram sua cidadania plena nas telenovelas.





Fonte: Folha de S.Paulo

Augusto tem 60 anos e depois de tanto remediar e por recomendação de um amigo procurou ajuda de um profissional. Ele foi direto ao psiquiatra e nem passou por um psicólogo.




No consultório psiquiátrico, primeiro, ele chorou muito porque nessa idade não aguenta mais sofrer às escondidas.



A consulta psiquiátrica foi uma oportunidade para o Augusto abordar temas tão delicados da sua homossexualidade.


Na primeira consulta ele reclamou do isolamento social, tão comum aos gays, mas que no seu caso tinha outro enfoque porque ele tem um relacionamento estável há 10 anos e a vida social do casal se resume ao trabalho, cinema nos finais de semana e apenas um amigo.




No mês seguinte o psiquiatra identificou estado de depressão. Na idade do Augusto a vida está definida, os sonhos já não povoam a sua mente e o prenuncio da velhice gay incomoda. O isolamento social leva os gays a um estado de depressão que se instala silenciosamente e quando se percebe já toma conta da sua vida e ai o tratamento é à base de muitos medicamentos.



Bem, o problema grave do Augusto não era o isolamento social e nem a depressão, mas a ansiedade diária e ideias de suicídio.



Frequentemente, Augusto se via pulando da janela do seu apartamento no décimo segundo andar do prédio onde mora e nunca contou a ninguém sobre esses pensamentos.



Não pense você que esse tipo de ocorrência é raro porque essas situações são comuns entre os gays e principalmente os mais velhos e idosos.



A falta de carinho combinado com Isolamento social + Depressão + Ansiedade = Ideias de suicídio.



Depois de um ano de muita medicação e diversas visitas ao psiquiatra Augusto conseguiu equilibrar os seus pensamentos suicidas. O Médico vai continuar fazendo o acompanhamento do paciente porque ninguém se cura dessa doença definitivamente.

Neste ano a vida do Augusto mudou. A primeira coisa que fez foi romper a relação com o parceiro. Ele descobriu que nunca havia sentido amor ou carinho pelo companheiro. O parceiro também não tinha amor, simplesmente “gostava” e queria apenas sexo e boa vida, não sabia expressar os sentimentos de carinho. Para o parceiro Augusto era apenas um “troféu”.



Na velhice os gays escolhem companheiros para amizades, sexo e vida social, mas sempre falta o principal: amor, carinho e afeto.



O gay idoso pensa da seguinte forma: já vivi demais, sofri desilusões e nesta idade não vou encontrar o homem certo para ser o meu parceiro. Outra coisa interessante: A escolha sempre inclui a beleza física e a estabilidade econômica, mas exclui vários atributos vinculados ao carinho.



Hello!! Não existe o homem gay ideal.



O seu parceiro será aquele com quem você faz sexo como terapia e sem obrigação e brinca como criança sem ser criticado. Será aquele que te completa, te auxilia e te apoia em tudo.



O seu parceiro será aquele que gosta de compartilhar coisas simples como: tomar banho juntos, cortar as unhas dos pés, fazer massagem ou entrelaçar as pernas na hora de dormir.



O seu parceiro será aquele que gosta de estar ao seu lado em todos os momentos da vida.



O seu parceiro será aquele que lava a louça após o almoço ou jantar, limpa a casa quando a empregada estiver ausente ou que conversa abertamente sobre os todos os problemas do cotidiano.



Uma relação gay é antes de tudo uma relação humana. Levamos tanta pancada no decorrer da vida que ficamos insensíveis e nos fechamos às questões simples da vida.



Outro fator importante: não basta ter um companheiro, é necessário manter um circulo de amizades, mesmo que restrito. Você não vive numa ilha, portanto, aprenda a socializar.



Não existe receita de felicidade para os gays, mas na velhice temos que trabalhar a auto estima e ter muita atenção às situações que nos levam a ter doenças muitas vezes incuráveis.

Acusada de usar os Gays

"Ninguém pode me acusar de usar os gays para vender discos", afirma Lady Gaga



Após polêmicas envolvendo Lady Gaga e a rede varejista Target, a cantora detonou os críticos que a acusam de defender a comunidade gay para vender discos. Em entrevista à revista Advocate, a cantora não mediu palavras.




"Essa é uma das acusações mais ridículas que alguém pode fazer sobre mim. Eu diria que a principal coisa em que penso todos os dias da minha vida, além dos meus fãs, de amar música, minha família e ser saudável, é em justiça social e igualdade de direitos."



Em 2010, a rede americana de varejo Target contribuiu com dinheiro para um comitê político que luta contra os direitos iguais para homossexuais. Algum tempo após Gaga lançar seu último álbum, Born This Way, a loja a procurou para vender uma edição especial do disco. Gaga fechou o negócio, porém alguns fãs protestaram e explicaram o incidente e a cantora decidiu cancelar as vendas.



"Ou você tenta e muda alguma coisa ou você não faz nada e se finge de morto. Ter uma postura ambígua como essa não é o que eu pretendo. Eu gosto de ir direto ao ponto. Você está dentro ou fora”, disse a cantora após cancelar seu contrato com a loja.



Sobre ser comparada com ícones da música no meio gay, como Madonna e Kylie Minogue, Gaga revelou que “não há drama, não há inveja, não há competição”. "Tenho certeza que elas estão felizes de ver outras mulheres vencendo. Eu me sinto muito conectada a Madonna de diversas formas, como me sinto conectada a Barbra, Cher, Blondie e todas as mulheres que vieram antes de mim."


No mundo gay há a defesa da idéia de que pessoas nascem homossexuais. Está isto comprovado pela ciência? É o homossexualismo determinado geneticamente? Ou será uma escolha de comportamento decidida ao longo dos anos, especialmente na infância e adolescência? Existe um gen gay?




Esta discussão começou em 1993 quando a revista científica de respeito mundial, a Science (Ciência), publicou um estudo feito por Dean Hamer dizendo que a ciência estava no limiar de provar que a homossexualidade seria inata (se nasce com ela), genética e, portanto, imutável, sendo uma variante normal de natureza humana. (Satinover, Jeffrey, "Is There a 'Gay Gene?'" National Association for Research and Therapy of Homosexuality (NARTH) Fact Sheet, March 1999, p. 1.)



A mídia logo jogou combustível no fogo. Revistas famosas, como a Newsweek, jornais como o The Wall Street Journal, e muitas outras publicações anunciaram em manchetes as sugestões de que cientistas haviam descoberto um “gen gay”. A revista Time entitulou sua matéria: “Born Gay?” (“Nascido Gay”) 26 Julho 1993.

Contudo até agora não foi descoberto o tal “gen gay” pela ciência. O próprio Hamer, ele mesmo revelado como gay, mais tarde disse: “...fatores ambientais têm um papel [no surgimento da homossexualidade]. Não existe nenhum gen mestre que faz as pessoas gay. ...Não creio que seremos capazes de predizer quem será gay.” (Hamer, Dean and Peter Copeland, The Science of Desire (Simon & Schuster, 1994).



Hamer havia dito que a homossexualidade poderia ser ligada aos achados do cromossoma X. Ele encontrou que de 40 pares de irmãos homossexuais, 33 (83%) receberam a mesma sequência de cinco marcadores genéticos. Outros cientistas, contudo, tal como N.E. Whitehead, Ph.D., co-autor de “My Genes Made Me Do It!” (“Meus Gens Fizeram Me Fazer Isto!”), encontraram uma série de problemas com o estudo de Hamer. Whitehead primeiro apontou que o estudo falhou no controle do grupo da população geral, notando que se a mesma sequência do cromossoma X que apareceu nos homens homossexuais também apareceram na população geral de homens heterossexuais, então o gen é insignificante.



Outro problema com o estudo é que Hamer não testou os irmãos heterossexuais dos homens homossexuais para ver se eles tiveram o gen, e alguns dados daqueles homens heterossexuais indicaram que eles tinham sequência de gens idênticas. Outro dado é que sete dos pares de homossexuais não possuíam a necessária sequência genética. ( Whitehead, Neil and Briar Whitehead, My Genes Made Me Do It! - Huntington House, 1999, p. 141.)



Somando-se ao estudo de Hamer, dois outros grandes estudos atraíram a atenção da mídia no começo nos anos 90. Um deles, feito em 1991, por Simon LeVay, se tornou mais tarde conhecido como o “estudo do cérebro”. Em seu artigo "A Difference in Hypothalamic Structure Between Heterosexual and Homosexual Men" (“Uma Diferença na Estrutura Hipotalâmica Entre Homens Heterossexuais e Homossexuais”), LeVay tentou encontrar diferenças nos hipotálamos (região cerebral) de homens homossexuais e heterossexuais. Também publicado na Science.( LeVay, Simon, "A Difference in Hypothalamic Structure Between Heterosexual and Homosexual Men," Science 253 (1991): pp. 1034-7.) LeVay encontrou que o cérebro dos 19 homossexuais do estudo eram mais semelhantes ao tamanho de cérebros femininos. E agora? Isto comprovou ser a homossexualidade algo biologicamente determinado? Vejamos isto na segunda parte desse artigo.

Leia aqui:  Segunda parte
Fonte: Saúde Mental

PROJETO # EusouGay

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), 36 anos, é possivelmente uma das pessoas mais cientes da História com H maiúsculo que o precedeu na Câmara dos Deputados. Um estudioso da civilidade tal como ainda a queremos conhecer nesta nossa recente República, e possivelmente o maior defensor hoje em Brasília na luta contra a homofobia, o deputado gentilmente cedeu este depoimento para nosso projeto.




Escutem o recado que ele tem a passar:
 

 
Mais informações:  PROJETO: #EuSouGay
 

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