Pastora das nuvens

Cecília Meireles



“Refazer com imaginação todas as coisas que acontecem por estes lugares”,


Sua religião é Deus em poesia.


“Para além de hoje e outrora,/ veremos os Reis ocultos/ senhores da Vida toda,/ em cuja etérea cidade/ fomos lágrima e saudade/ por seus nomes e seus vultos.”


É em seu Romanceiro, aliás, que ela suplica aos santos. É em vida que lhes dedica pequenos oratórios. “Com as mãos no altar, o acender luzes/ pés na fria pedra.” É Clara a sua luz.
Não há sossego para a viajante, que questiona a si própria:
“Cavalo e cocheiro, tu e eu: estaríamos acordados ou dormindo? Vivos ou mortos? E quem éramos, com certeza, fora do nosso nome, do nosso passaporte, das relações que ao longe conversávamos – tão longe, além de tantos mares e montanhas...?”
Questiona mas aceita, pois essa é a sua meditação.
Deixa que ele a leve por onde quiser. Ele também é um artista. "Como não há de ser artista um homem habituado a conduzir o seu carro - ofício, aliás, de Apolo - por entre vetustos palácios, ao longo de velhas ruínas, com o presente misturado a um passado de glórias e derrotas, conhecendo (a seu modo) imperadores e santos...?" A poeta conhece as cartas.

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