A Deusa


A Deusa



A deusa do amor, da paixão e da fertilidade era conhecida por vários nomes em épocas diferentes e em locais diferentes.


Na Suméria ela era chamada Inana, e na babilônia ela era Istar. Os persas veneravam Anaíta, enquanto os cananeus, os hebreus e os fenícios reverenciavam o altar de Anat, também chamada de Astarte ou Astart. No Egito, ela chamava-se Ísis, anteriormente identificada como Hátor. Na Lídia, ela era identificada como Cibele, e os romanos a conheciam por Vênus.

Na Grécia, ela era a formosa Afrodite. Afrodite não era associada com á deusa da fertilidade, que era identificada á deusa Rea e Deméter. O reino de Afrodite era do amor e da paixão, e sua imagem talvez seja a mais renomada por esses atributos hoje em dia.



Independente de nome e lugar, a deusa do amor era associada com a primavera, com a natureza desabrochando, com o tempo em que as sementes em repouso explodem em esplendor. A beleza é o componente principal; a nudez de Afrodite é glorificada. Ela é a única deusa a ser retratada nua em esculturas clássicas. O encanto do seu corpo feminino é adorado e adornado.

Da mesma maneira que Inana preparava seu corpo com perfumes e cosméticos quando antecipava sua união com seu amor, também o fazia Afrodite, como cantam os hinos homéricos.



Ela foi a Chipre, e penetrou seu templo perfumado em Pafos, onde ela possuía um recinto e um altar perfumado. Depois de entrar, ela fechava as portas reluzentes, e as Graças banhavam-na, untavam-na com óleo de oliva sagrado, do tipo que todos os deuses usam, aquela ambrósia agradável com a qual ela se perfumava. Tendo envergado suas lindas vestimentas e tendo se enfeitado com ouro, Afrodite, amante do riso, apressava-se em direção a Tróia, deixando em Chipre um odor adocicado, e rapidamente trilhava um caminho através das nuvens lá em cima.



Afrodite era frequentemente citada como “a dourada”. Bachofem também afirma que o domínio do consciente em Afrodite não é espiritual, e sim a consciência terrena “exaltada a mais alta pureza”.

A deusa exemplifica os aspectos da natureza feminina que se manifestam na matéria. Beleza física, consciência feminina integrada no corpo, isto é, sabedoria instintiva, e capacidade de conectar emoções profundamente sentidas com relacionamentos (o princípio de Eros), tudo isso é associado com a deusa.



A deusa era considera virginal. Dentro de nossa compreensão moderna, é paradoxal ver a deusa como virginal, se ela é identificada com paixão e amantes múltiplos. Mas não há paradoxo; em latim virgo significa solteira, enquanto que virgo intacta refere-se á falta de experiência sexual. Hoje em dia, a palavra “virgem” encerra apenas o último significado.

O atributo virginal da deusa simplesmente significa que ela não pertence a homem algum; ela pertence a si mesma. Ela não é vista como correspondente dos outros deuses, ou como versão feminina de um deus. Embora possa ser casada, seu esposo é visto como consorte. Sua condição de esposa não altera seus próprios atributos, nem lhe concede status especial. A deusa do amor existe por direito próprio, como “uma em si mesma”. Ela é verdadeira para com a sua natureza e seu instinto próprio. Fala-se de floresta virgem, que é livre e espontânea, grávida de vida, de acordo com as leis da natureza. É desimpedida e intocada pelo homem. Semelhantemente, a deusa do amor comportava-se de acordo com suas próprias leis divinas da natureza, livre e desvinculada das leis elaboradas pelo homem.



A deusa do amor era deusa da lua. Em tempos antigos, em alguns dos lugares em que era venerada, o clima era quente e árido. As pessoas presumiam que, uma vez que o sol tórrido e ofuscante secava a terra e destruía o solo verde incipiente, era a lua, com sua iluminação fresca e suave, que oferecia vida e abundância. A lua e sua deusa eram os poderes fertilizadores. Daí a deusa usar um adorno de cabeça em forma de lua crescente, assim como Ísis é representada com uma espécie de chifres em forma de meia-lua, sendo por isso associada à vaca, a fonte de leite de bondade humana. Em festividades religiosas especiais para a deusa da lua, costumava-se servir pequenos bolos com formato de meia-lua.

Mas a lua também possuía o poder de gerar a insanidade ilimitada em sua destruição implacável. Plutarco dizia a seu respeito: “A lua cheia é um bom desígnio, mas lua minguante traz doença e morte”. Como a lua, ela era cíclica, seguindo um ritmo constante de mudança.


Outro fio comum que se entrelaça nos mitos de todas as deusas do amor é o tema do filho-amante. A deusa em si é eterna; todavia, o filho amante é morto ou sacrificado para ressurgir de novo.


Um mito grego fala de Afrodite e de seu belo Adônis (nome que significa senhor e mestre). Afrodite encontra Adônis quando de seu nascimento de uma árvore, na qual sua mãe se transformará. Afrodite colocou a criança num cofre e a confiou à deusa do submundo, Perséfone.

Quando, mais tarde, Afrodite voltou para reclamar o cofre, ela descobriu que Perséfone já o tinha aberto e contemplado a grande beleza da criança, e recusava-se a perdê-la. A briga entre as duas deusas foi levada a Zeus, que solucionou o conflito decidindo que Adônis passaria metade do ano na terra, e a outra metade no submundo.



Durante metade do ano em que ficava com Afrodite, ela procurava agrada-lo ao máximo. Adônis tinha paixão pela caça, e apesar de Afrodite temer que um destino trágico o abatesse, ela não conseguia desestimulá-lo.

Certo dia, durante uma caçada nas matas selvagens, Adônis foi atacado e fatalmente ferido pelos chifres de um javali. Ao correr em direção a ele, Afrodite arranhou a perna numa rosa, que até então fora branca. A rosa tornou-se vermelha por causa de seu sangue. (A rosa vermelha, símbolo de Afrodite, ainda é considerada como presente de amor.) Afrodite beijou Adônis que morria, e sentiu então a mesma dor penetrante que ele sentia.


Perda e morte, amor não correspondido e abandono, tudo isso faz parte do reino de Afrodite. Na verdade, é apenas através dessas sombras escuras que seu brilho dourado torna-se criação completa, sorrindo seu sorriso imortal, e olhando para a morte com seus olhos imortais. A permanência faz parte do mundo de Hera, não do de Afrodite. O que faz parte de Afrodite é a profunda aceitação de que o amor apaixonado não dura para sempre; e a aceitação igualmente profunda de que o homem é feito para amar.

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A mulher que vem a conhecer a deusa cresce na compreensão daquele aspecto divino de sua natureza feminina que parte do Si - mesmo, do arquétipo da totalidade e do centro regulador da personalidade. Em vez de tentar dominar sua vida, seu ego age juntamente com o Si - mesmo. Ela é guiada, por assim dizer, por suas mais profundas necessidades, por idéias e atitudes que vêm de dentro. Ela não é contaminada por circunstâncias externas ou excessivamente atingida por críticas.





Eu acho meu corpo belo


A mulher que tem consciência da deusa cuida de seu corpo com alimentação e exercícios adequados, e aprecia os rituais como banhar-se, vestir-se a aplicar cosméticos. Não se trata de propósito superficial de apelo pessoal, relacionado à gratificação do ego, mas sim de respeito por sua natureza feminina.



Tal mulher é virginal. Isso não tem nada haver com estado físico, mas com atitude interior. Ela não é dependente das reações dos outros para definir seu próprio ser. A mulher virginal não é apenas o reverso do homem, seja ele pai, amante ou esposo. Ela mantém-se em pé de igualdade em relação a seus direitos. Não é governada por idéia abstrata do que ela “deveria” ser ou “do que as pessoas vão pensar”.



A mulher que é virgem, uma em si mesma, faz o que faz – não por causa de algum desejo de agradar, não para ser amada, aprovada,... Não por causa de algum desejo de conquistar poder sobre alguém, para conseguir seu interesse ou amor, mas porque o que ela faz é verdadeiro... Na condição de virgem, ela não é influenciada pelas considerações que a mulher que não é virgem faz; seja casada ou não, ela apruma suas velas e adapta-se às circunstâncias...

Ela é o que é porque é assim que ela é.


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